O bom de ter um blog é porque é algo seu, somente seu, e nele você pode escrever simplesmente o que quiser… Não importa o que você escreve nele, ninguém pode fazer nada… É a tal da liberdade de expressão prevista na Constituição Federal (desde que a gente não ofenda outros princípos fundamentais…)
Bem, hoje, particularmente, estou bem emotiva, ou emocional ou sensível, ou pensativa, ou chata, pensem o que quiser… Mas isso é bom, acredito que estou começando a sair do fundo do poço, aliás, acho que já cheguei na metade dele… É óbvio que tenho passado por uns momentos difíceis, e quando eu falo difíceis significa realmente duros. Sinto saudades da minha família, da minha casa, do meu cachorro, da comidinha da minha mãe, sem falar que estou tomando as rédeas da minha vida, aprendendo a tomar decisões por mim mesma, aprendendo a ser impulsiva quando é necessário, forte quando é preciso e fraca quando não se consegue mais aguentar.
Estou aqui na Itália há exatamente 113 dias, poxa, bastante tempo fora de casa, não? E posso afirmar que EU ESTOU DIFERENTE… Eu realmente mudei. Alguns podem até considerar ruim esta minha mudança, mas tenho certeza que estou melhor. Mais madura, mais adulta, mais pé no chão, mais realista, por mais que doa. Eu simplesmente acordei em um dia nebuloso de Ferrara e pensei “não, esta não é a vida que eu quero”, esta não é a pessoa que deve ficar do meu lado pra sempre, este não é o jeito que imaginei a minha vida, este não é o caminho que quero seguir, esta não é a comida que quero comer… Simples assim. Eu acordei, e vi que tinha muita coisa errada na minha vida, é claro que eu gostaria de ter tido esse momento perto da minha família, dos meus pais e dos meus irmãos, mas, como tenho aprendido a vida não funciona do jeito que a gente deseja…
Eu gostaria de conseguir transmitir em palavras tudo o que tenho sentido, mas é impossível, não tem como!
Um dia desses, estava lá eu triste na internet quando um amigo meu simplesmente chegou pra mim e falou: “Thayse, você está infeliz, mas o que você precisa para ser feliz? O que você precisa para ser completa?”. E essas questões me atormentaram por dias, o que eu quero, o que eu preciso para ser feliz? Poxa, eu tenho uma família maravilhosa, amigos maravilhosos, todos imperfeitos, mas de algum modo, perfeitos para mim. Eu tenho saúde, beleza suficiente, inteligência, condições financeiras para me tornar uma boa proissional, ou seja, capacidade não me falta para ser feliz. Eu sou feliz! Essa foi a conclusão que eu cheguei. Eu tenho tudo para ser feliz, eu só preciso me aceitar do jeito que eu sou, aceitar que não sou perfeita, que eu já errei, que eu erro e que vou errar. Acredito qua tenho muito para viver e que a vida vai me surpreender as vezes, seja com os caminhos que ela vai proporcionar, seja com os caminhos que eu vou seguir e errar. Acredito que almas-gêmeas não existem, mas que tem alguém por aí me esperando. Sei que essa pessoa não vai ser perfeita, mas vai me amar e me respeitar simplesmente do jeito que eu sou, desligada, gulosa, atrapalhada, meio preguiçosa e chatinha, imperfeita, mas com um coração do tamanho do mundo. E qualquer um que não me entenda e não me valorize do jeito que sou, não deve fazer parte da minha vida, simples assim. Me decepcionei sim, claro que sim, me decepcionei por imaginar ter encontrado pessoas para a vida toda e elas não se mostrarem suficientes para participar dela… Me decepcionei com a amargura e raiva de muitos, me decepcionei de sentir na pele que a distância separa as pessoas, e me decepcionei com muitos que se afastaram de mim pela distância, me decepcionei ao ouvir palavras duras vindas de um total desconhecido, me decepcionei de descobrir que as pessoas são diferentes, e que as vezes elas podem não te entender e não concordar contigo, mas que continuam sendo simplesmente pessoas. Conheci pessoas boas, pessoas ruins, pessoas esforçadas, pessoas preguiçosas, pessoas reclamonas, pessoas que não querem nada com a vida, pessoas que querem tudo, pessoas que não se importam com elas mesmas, pessoas que não se importam com os outros, pessoas que só se importam com os outros. Pessoas malvadas, invejosas, raivosas, amarguradas, alegres, felizes, pessoas diferentes de mim.
Descobri que em primeiro lugar vem o respeito, e que as vezes é necessário pensar com a cabeça e não com o coração. Descobri que mesmo fazendo tudo certo, você ainda vai ser condenada por algo que não fez, por algo injusto. E o que devemos fazer é falar a verdade e erguer a cabeça. O importante é estar “de bem” com o seu coração, com a alma. É importante ter orgulho, respeito próprio, é importante se valorizar e não deixar que os outros te humilhem ou te magoem, e se eles fizerem, tem que saber o que fazer e como agir para seguir em frente.
E é isto o que estou fazendo, seguindo com a minha vida, deixando muitas coisas, muitas lembranças para trás, e começando uma nova fase, uma nova vida. Sou agora uma nova Thayse, uma mais determinada e realista. O coração permanece o mesmo, só a cabeça que mudou…
Bem, sei que 99% de quem entrar aqui não vai ler tudo, e eu realmente não me importo, pois aqui é o meu cantinho, a minha liberdade de expressão. :D
Bem, novidades, acho que esse final de semana vou pra Bologna mudar a data da minha passagem, decidi voltar um mês antes, pois quero acertar minha vida ai no Brasil, achar um estágio, pegar um pouco de Sol, matar as saudades de casa, passear com o meu cachorro, sair com as aminhas, assistir Harry Potter em inglês com a legenda em portugûes e não em dublado italianês… hehehehe. Vou ver certinho a data e aviso vocês! Ai, e parece que está tendo uma Feira de Cioccolato em Bologna, iuhu, lá vou eu. Hahahaha.
E assim vou tocando a minha vida, diferente de como imaginei, mas deixando ela seguir seu curso natural. Sempre com Deus, minha família e meus amigos ao meu lado.
É isso ai, um grande beijo e bom final de semana…
Vou terminar esse post com um pedaço de uma música do Glee:
“You say goodbye and I say hello”